Parriot 2007 - Ano V - Entre a Terra e os Céus
Parriot 2007 - Ano V - Entre a Terra e os Céus
A Terra é muito mais do que um amontoado de gente e coisas. Não existe so um céu. Viva entre a Terra e os Céus.
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Domingo, Janeiro 28, 2007

Episódio de hoje: A PENTEADEIRA

No quarto bagunçado, mas com a austeridade própria de quem ainda não chegou à decadência tão comum para algumas pessoas de sua idade. Um quarto grande onde abriga sua vida. Tudo o que puder se imaginar de material e não-material de sua vida estão ali.

Olhar para ela conversando é como estar num sonho bom onde sua aura é vista como uma sombra branca e fosca, como se entre ela houvesse uma névoa leve e alva. Sua voz se transformava naqueles momentos em um som bom de se ouvir. O vestido escolhido para aquela noite não poderia ser melhor, gosto muito mais de vê-la nesses vestidos de cores peroladas, leves, desses que caem sobre seu corpo sem dificuldade e que o vento desenha os contornos detalhadamente, como se por capricho.

Ela ainda iria se preparar para sair. Iria se maquiar como sempre fazia. Sempre o mesmo ritual esperado e inebriante. Na pequena penteadeira de onde se via na extremidade superior direita uma espécie de cordão de lã que entrelaçava a quina do espelho e corria até seu meio com uma linda flor feita de linha de bordar.
O espelho pequeno, próprio de uma mulher que quer ter certeza da perfeição do que está fazendo no próprio rosto, era iluminado por um abajur que ficava trinta centímetros acima, cuidadosamente ajustado para iluminar corretamente seu rosto. Sentada de lado com uma perna à frente e a outra caída de lado na cadeira, mostrando sua panturrilha alva e a parte traseira de seu sapato.

Os frascos de perfume transparentes que como lentes de aumento potencializavam a cor rubra do lenço caído por trás, suas sombras dando a idéia de serem partes distintas de um todo composto de pequenas realidades. Brincos e cordões despejados por sobre um pote davam àquela hora de maquiagem um enlevo de frescor, mágica e ternura que somente uma vez na vida você desejaria ter o prazer de assistir e já se sentiria feliz. Bem feliz.



Estudo feminino de Gustav Klimt

posted by PARRIOT PB | 04:09
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Sexta-feira, Janeiro 26, 2007

Episódio de hoje: SOL NASCENTE

Ontem vi o sol nascer no Arpoador pela primeira vez. E foi lindo. É maravilhoso ver o poder que o sol possui de iluminar tudo mesmo antes de aparecer no horizonte, lá naquela linha no fim do mar. E depois de um bom tempo em que podemos distinguir o verde do azul vem um pequeno filete amarelo que vai se tornando um círculo e de repente está no alto, esplendoroso.

De um lado o Arpoador, do outro o Dois Irmãos. Ver o Dois Irmãos se tornar uma montanha e não mais um contorno é tão emocionante que não há como explicar.
E o sol nasce pra dizer que um novo dia acontece todo dia e com ele vamos deixando as coisas do passado no passado.

E quando se tem um sol nascente na sua frente, não muita coisa pra se dizer. Há?

Imagem do dia


Nascer do Sol II de Silvio Dias
Retirado do site Olhares.com

Poesia do dia

O que Nós Vemos
Alberto Caeiro



O que nós vemos das cousas são as cousas.
Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra?
Por que é que ver e ouvir seria iludirmo-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir?
O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.

Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
E uma seqüestração na liberdade daquele convento
De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas
E as flores as penitentes convictas de um só dia,
Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas
Nem as flores senão flores.
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores.

posted by PARRIOT PB | 13:48
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Quinta-feira, Janeiro 18, 2007

Episódio de hoje:METRÔ

Pois foi uma mulher. Uma mulher que fisicamente me chamou a atenção. Deve ter sua faixa de 40 a 45 anos (e eu sempre achei as mulheres mais velhas bem mais interessantes). Seu cabelo liso, loiro - provavelmente tingido, pois percebi lembranças de um cabelo escuro pelo desgaste da pintura. Cabelos brancos, fios e fios na parte superior da cabeça. E um cabelo liso, escovado cuidadosamente e bem cortado. Os olhos azuis e não sei dizer se brilhantes ou opacos. Às vezes eu acho difícil reconhecer a diferença. E provavelmente vou projetar nela aquilo que eu gostaria que ela fosse. A história que eu inventar para ela. Brilhantes: ela acorda sorrindo a cada manhã, feliz da vida porque está viva e sempre pensa que um dia é um dia e pode fazer dela o mais feliz de toda a sua vida. Opacos: ela acorda com semblante triste, se olha no espelho e descobre que sozinha, está envelhecendo. Não é casada, não tem filhos, um trabalho que poderia ser melhor, mas precisa continuar.

Seus olhos azuis são abraçados por longos cílios negros, destacados por um lápis de olho e ela os tem expressivos. Na boca um batom muito discreto, assim como suas ações. Tudo é muito leve. Seu sentar, seu modo de olhar, sua respiração. Ela é magra, mas não magricela. Diria que está em forma. Uma calça de que tecido não sei. Uma camiseta com um corpete branco de algodão por cima e um sapato de salto baixo.

Ao meu lado, uma negra. Essa sim. Linda! De vinte e poucos anos, com cabelos rastafári, um batom vermelho destacando seus lábios grossos, uma pele de fazer inveja a qualquer um e uns olhos brilhantes, brilhantes toda vida. Sua roupa não é extravagante, mas é sensual. Duas mulheres tão diferentes e unidas.

Com a negra, duas crianças. (e eu lá escutando Celia Cruz, que por acaso era apelidada de "Azúcar Negra"). Dois negrinhos bem arrumadinhos, mas bastante sapecas. (Ei! Ainda se usa essa palavra "sapeca" por alguém da minha idade?). Ela com um I-Pod na bolsa e os fones sendo divididos pelos dois "sapecas". Meu amigo: "Eles estão como nós, dividindo o fone". Realmente estavam e havia uma cumplicidade deles com nós dois por isso. Também eram dois que dividiam um mesmo fone. Duas crianças negras, dois jovens adultos de passagem brancos. Tão diferentes e tão unidos.

Foi quando percebi um sorriso nela. A loira. A interessante. E comecei a pensar nela. Em tudo que ela já havia feito naquele dia e o que ainda iria fazer. O que será que ela está pensando? Ela é casada? É sozinha? Separada? Não usa aliança, nem de viúva. Alguém ainda usa aliança de viúva? Será alegre essa mulher? Meu amigo também ri e eu percebo que não entendo de fato do que eles estão rindo porque nem ao menos prestei atenção aos dois moleques. Eu ri dela. (Devia ter rido pra ela, para que percebesse o quão interessante é, mas senti vergonha. Ela ficaria tímida).

Desceu na mesma estação que a negra e os dois moleques, que relutantemente entregaram os fones à moça, a outra. Que me olhou. Sim, ela me olhou e seu sorriso fio leve. Será que percebeu o quanto eu a achei bonita e sexy? Que coisa mais antiga pra se dizer: "Sexy". Mas acho tão indiscreto dizer: gostosa. Porque meu desejo não era o de comer, era de me deliciar só com a visão. Ela era bela pra se ver numa vitrine. A outra, que desceu junto com a negra, sorriu. Para eles. Teve momento em que ela desejou ter filhos? Será que ela invejou aquela moça com as crianças? Queria ela estar ali dividindo para eles o fone. E ela se foi. E no fone dividido entre mim e meu amigo tocaria "Quizas, Quizas, Quizas".

Imagem do dia:



ASSISTA!!!



Viagem Urbana (Tube Tales)
Seis curtas que se passam no metrô. Maravilhoso!

posted by PARRIOT PB | 12:22
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Segunda-feira, Janeiro 15, 2007

Episódio de hoje: A VIDA PODE SER UM CARNAVAL

Uma das minhas músicas prediletas do Cazuza se chama Blues da Piedade. Gosto dessa música porque ele fala exatamente aquilo que eu gostaria de falar pra muitas pessoas.

"vou cantar pr'os miseráveis que vagam pelo mundo derrotados, pr'essas sementes mal-plantadas que já nascem com cara de abortadas, pr'as pessoas de alma bem pequena, remoendo pequenos problemas, querendo sempre ter aquilo que não têm. Pra quem não sabe amar, fica esperando alguém que caiba nos seus sonhos".

Acho que vez ou outra todos nós merecemos esse blues da piedade. Afinal, quem nunca se olhou no espelho e se achou feio ou estranho? Até Ana Paula Arósio.
Quem nunca se sentiu infeliz ou tolo ou chato ou burro? Eu vivo me sentindo assim. Talvez porque não seja fácil ser quem somos. Talvez porque não seja fácil carregar atrás de nós um cemitério de sentimentos e velhas lembranças do passado. Será envelhecer realmente tão difícil? Ou será mais difícil para alguns do que para outros? O que determina essa diferença? Mas ao mesmo tempo que penso nessa dificuldade do envelhecimento como "privilégio" de quem está passando dos quarenta ou cinqüenta ou sessenta (como meus pais), penso que se trata de um belo preconceito. E quem não é preconceituoso?

Digo preconceito porque envelhecemos todos. Dia após dia e cada dia é novo. O que mantém alguém vivo aos 100 anos além de um azar da biologia? Ou será sorte?

Li há pouco o livro Mrs. Dalloway de Virgínia Woolf e me emocionei. Me emocionei com cada passagem, com a idade dos personagens e a relação de cada um com o fato. Envelhecer é fato, não dá pra escapar. E se a morte bate à nossa porta todos os dias, do 0 aos 120 anos, é a vida quem não a deixa entrar. Ou no caso de Mrs. Dalloway, é a própria morte quem nos convida a viver. É como se a vida fosse realmente o preparativo para uma grande festa que pode ser, por que não, a morte. A morte é uma grande festa? Que coisa mais byroniana pra se dizer! A morte pode ser sim uma grande festa de despedida de uma vida gloriosa. Gloriosa em seus pequenos detalhes.

Mas prefiro acreditar que é a vida a grande festa. E perdemos esta festa pensando demais na morte. Ou deixando que ela entre um pouquinho a cada dia em nossa casa. Impedir que ela entre não é possível, mas é possível que ela entre com calma, sem grandes alardes.

A vida pode ser um Carnaval.

Imagem do dia



Texto do dia

La Vida es Un Carnaval
Celia Cruz


Todo aquel que piensa
que la vida es desigual
Tiene que saber que no es asi
Que la vida es una hermosura
Hay que vivirla

Todo aquel que piense
Que esta solo y que esta mal
Tiene que saber que no es asi
Que en la vida no hay nadie solo
Y siempre hay alguien

Ay, no hay que llorar
Que la vida es un carnaval
y es mas bello vivir cantando

Ay, no hay que llorar
que la vida es un carnaval
E las penas se van cantando

Todo aquel que piensa
Que la vida siempre es cruel
Tiene que saber que no es asi
Que tan solo hay momentos malos
Y todo pasa

Todo aquel que piense
Que esto nunca va a cambiar
Tiene que saber que no es asi Que al mal tiempo, buena cara
Y todo cambia

Para aquellos que se quejan tanto
Para aquellos que solo critican
Para aquellos que usan las armas
Para aquellos que nos contaminen
Para aquellos que hacen la guerra
Para aquellos que vivin pecando
Para aquellos que nos maltratan
Para aquellos que nos contagian


LEIA!!!


Mrs. Dalloway
Virginia Woolf
Ed. Nova Fronteira

posted by PARRIOT PB | 14:03
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Terça-feira, Janeiro 09, 2007

Episódio de hoje:NOSSA NATUREZA HUMANA

Tenho pensado bastante, ultimamente, sobre nossa forma de ver, pensar e agir no mundo. Tenho pensado principalmente no quanto somos bons ou maus.
Há muito tempo que eu já havia deixado de lado a idéia de que o homem é "naturalmente bom, a sociedade é que o corrompe". Principalmente porque há um paradoxo simples nessa frase. Se a sociedade é formada por homens então o homem corrompe o homem e aí lembramos do nosso Hobbes. "Homem lobo do homem".

Ok. Primeiro ítem vencido. A psicanálise também não acredita nessa onda de o homem ser naturalmente bom. As crianças já demonstram requintes de crueldade em suas ações.

O filme Dogville, na minha concepção, mostra bem essa realidade. E talvez a cena mais forte tenha sido a que o gângster atira num bebê. Meu primeiro impulso foi o de pensar na crueldade porque era apenas uma criança. Mas depois, contextualizando, era necessário. Aquela criança já estava contaminada pela crueldade daquele lugar. E observando as atitudes da Grace, penso que havia ali um leão preso pedindo pra ser solto e eles apenas provocaram a liberdade desse leão.

Se todos nós somos naturalmente maus, como fazer para nos tornarmos bons? E como fazer isso se cada vez mais pessoas deixaram de acreditar que possa existir algo de bom nesta sociedade? Às vezes até mesmo eu deixo de acreditar. Fico escutando as pessoas dizerem coisas e pensando: "Ela pode estar falando da boca pra fora". E tem aquela frase do Tim Maia, já cantada pelo Cazuza: "Os fãs de hoje são os linchadores de amanhã". Não será isso verdade?

Somos realmente egoístas e egocêntricos, cada qual à sua maneira. Mas somos. E mentimos, e jogamos. Lembro-me de um livro que li onde dizia que as duas forças que movem as ações do homem são o amor e o medo. Todas as suas respostas vão depender de qual sentimento é mais forte em você. E acho que o medo está imperando muito mais forte no mundo de hoje.

O medo de amar me faz ser mais frio e líquido em minhas relações. O medo de ser enganado me faz não confiar nas pessoas. O medo de que não acreditem em mim me faz criar artifícios para que acreditem: eu minto sobre o que sou e sobre o que penso e sinto. O medo de envelhecer me faz buscar artifícios para permanecer sempre jovem: me torno fútil. O medo de mim me faz pensar em superficialidades: me torno débil.

O amor constrói. O medo destrói. Será mesmo isso? Ou estou enganado?

Imagem do dia



Texto do dia

Trecho de Sociabilidade e sociedade de risco: um estudo sobre relações na modernidade. de Cristiano Guedes.

"a misteriosa fragilidade dos vínculos humanos, o sentimento de insegurança que ela inspira e os desejos conflitantes (estimulados por tal sentimento) de apertar os laços e ao mesmo tempo mantê¿los frouxos, é o que este livro busca esclarecer, registrar e apreender" (BAUMAN, 2004, p. 8).

A intenção de estar junto e ao mesmo tempo não estabelecer relações duradouras é uma das principiais razões da ambivalência característica dos relacionamentos atuais. Tal ambivalência resulta principalmente da instabilidade que impera na modernidade líquida, época de incertezas e inseguranças provenientes do risco que poderá trazer um novo relacionamento diante do qual previsões e mecanismos de controle não se aplicam. Bauman, ao dissecar os líquidos relacionamentos modernos, mostra como a interação entre homens e mulheres reflete uma ordem social pautada por riscos socialmente produzidos.

A escolha dos relacionamentos como objeto de estudo é justificado, segundo Bauman, em virtude das qualidades que possuem e os tornam representativos da sociedade moderna. A impossibilidade de prever quando e como ocorrerá um relacionamento não está restrita a casos de amor. A previsibilidade seguida da possibilidade de exercer controle sobre os diferentes tipos de relações constituintes das sociedades contemporâneas era uma das expectativas em relação à passagem de uma modernidade sólida para uma modernidade líquida.

"Os tempos modernos encontraram os sólidos pré¿modernos em estado avançado de desintegração; e um dos motivos mais fortes por trás da urgência em derretê¿los era o desejo, por uma vez, de descobrir ou inventar sólidos de solidez duradoura, solidez em que se pudesse confiar e que tornaria o mundo previsível e, portanto, administrável" (BAUMAN, 2001, p. 10).

O desejo não só deixou de ser concretizado, como a insegurança passou a caracterizar as relações de amor e, como resultado, a ansiedade, a superficialidade e a brevidade dos relacionamentos surgem como mecanismos de defesa empregados na relação com a alteridade.

Diante do risco representado pela decisão de ingressar em relações amorosas, as pessoas têm¿se amparado em dois tipos de estratégias de proteção: "fixação" e "flutuação". A "fixação" pode ser compreendida como uma tentativa de preservar o relacionamento apesar da impossibilidade de controlá¿lo. Trata¿se do

"esforço para emancipar o relacionamento de sentimentos erráticos e vacilantes, para assegurar que ¿ aconteça o que acontecer com suas emoções ¿ os parceiros continuem a beneficiar¿se dos dons do amor: o interesse, o cuidado, a responsabilidade do outro parceiro. Um esforço para alcançar o estado em que se possa continuar recebendo sem dar mais, ou dando não mais do que o padrão estabelecido exige" (BAUMAN, 1997, p. 115).

Nesse sentido, a pessoa busca evitar a ansiedade e constante possibilidade do fim do relacionamento. Investe¿se na "vontade de cuidar e de preservar o objeto cuidado", ainda que exija renúncias ou mesmo implique rotinas, afinal "o eu que ama se expande doando¿se ao objeto amado" (BAUMAN, 2004, p. 24). Contudo a rede de proteção criada pode representar aprisionamento, escravidão e fim da relação3. Investe¿se no exercício da tolerância para lidar com a diferença que a alteridade representa, diferença que deve ser suportada sob pena de resultar no fim do relacionamento.

Os adeptos da "flutuação", entretanto, não apresentam a mesma perseverança. Não estão dispostos a fazer muitas concessões. Pautam¿se por princípios de custo¿benefício. Tal como nas relações de mercado, conforme os lucros obtidos, o relacionamento continuará recebendo investimentos ou será suspenso4. Bauman apresenta a "flutuação" como "a recusa de conceder o caráter árduo da tarefa e o duro trabalho implicado. A estratégia de "cortar as próprias perdas", de "não investir dinheiro bom em busca de mau", de desistir de buscar alhures outra tentativa, uma vez que parece que os ganhos caíram abaixo do nível das despesas que se precisa para assegurá¿los. Nessa estratégia, escapa¿se da insegurança mais do que se luta com ela, na esperança de que se possa encontrar a segurança alhures a custos mais baixos e com esforço menos oneroso" (BAUMAN, 1997, p. 115).

A liberdade para se abandonar a relação a qualquer momento é latente, o amor assume a sua face episódica, ou seja, não está alicerçado em compromissos a longo prazo. Privilegia¿se o momento em detrimento do futuro, a trajetória do relacionamento não tem importância. Não há qualquer tipo de garantia. A "fixação" e a "flutuação" medeiam, cada uma a seu modo, a tênue fronteira entre segurança e dependência (como um tipo de possessão/escravidão), por um lado, e liberdade e insegurança, por outro. Esses extremos, em torno dos quais podem ser situados os relacionamentos, são responsáveis pela ambivalência que caracteriza o amor.


LEIA!!!!



Amor Líquido:
Sobre a fragilidade dos laços humanos

Zygmunt Bauman
Jorge Zahar Editor

posted by PARRIOT PB | 13:13
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Sexta-feira, Janeiro 05, 2007

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posted by PARRIOT PB | 18:43
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Episódio de hoje:O UNIVERSO EM EXPANSÃO

Acho que todo mundo um dia na vida já parou pra pensar que nada no mundo é para sempre. Não adianta. Nada mesmo.

As pérolas morrem, as pessoas morrem, tudo aquilo que nós conhecemos, vemos...tudo... vai acabar um dia. Pensar nisso pode deixar alguns em profunda depressão. A mim deixa angustiado. Angustiado em pensar que cada dia é um novo dia e que o ontem já foi e o hoje se vai a cada minuto.

Sempre duvidei muito dos extremos, talvez porque às vezes eu sou muito extremo. Ou eu me entrego demais ou não me entrego. Ou eu amo ou ignoro. Talvez ignorar seja um meio-termo entre o amor e o ódio.

É bom pensar que esse mundo que hoje vivemos, um dia, não passou de parte de uma partícula mínima que se expandiu e se transformou no universo. E como o universo, tal qual o conhecemos, um dia teve um começo, também terá um fim. Como será esse fim? Não sei. Ninguém sabe. Mas isso é o menos importante.

O importante, pra mim, é pensar que o universo está dando um recado simples. Viva! E viva como se fosse o último dia. Um amigo me lembrou dessa música do Moska ontem: "Meu amor, o que você faria, se só te restasse esse dia?" Não é também para agirmos de forma inconseqüente, mas de forma coerente com os nossos sentimentos. Amar sem medo, viver sem medo, ir atrás dos sonhos...Expandir!!!

E como é bom expandir. E como é bom voar. E ser livre pra isso.

Meu amor, o que você faria?

Texto do dia

Último Dia
Paulinho Moska e Billy Brandão


Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria?

Ia manter sua agenda
De almoço, hora, apatia?
Ou esperar os seus amigos
Na sua sala vazia?

Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria?

Corria pr'um shopping center
Ou para uma academia?
Pra se esquecer que não dá tempo
Pro tempo que já se perdia?

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria?

Andava pelado na chuva?
Corria no meio da rua?
Entrava de roupa no mar?
Trepava sem camisinha?

Meu amor
O que você faria?
O que você faria?

Abria a porta do hospício?
Trancava a da delegacia?
Dinamitava o meu carro?
Parava o tráfego e ria?

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria?

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Me diz o que você faria
Me diz o que você faria...


Imagem do dia:


Expanda!

LEIA!!!


Big Bang
Simon Singh
Ed. Record


Se não for pra estudar, pelo menos para se inspirar.

posted by PARRIOT PB | 12:44
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Quarta-feira, Janeiro 03, 2007

O Amor é Assim
Jean Cândido


Somos vermezinhos desimportantes
E nos achamos enormes demais
Com nossas certezas pequeninas
E com línguas preconceituozinhas

Eu acho que vergonha é mentir
Enganar quem tanto te ama
Acho que você está na lista
De quem não quero reencontrar

O amor é assim
Guerra e paz
Com cor de carmim

O amor é assim
Guerra e paz
Com cheiro de jasmim

O mundo desabando nas cabeças vazias
São tiros e brigas no sinal
Eu que nunca quis a paz
To cansado de mudar de opinião

E eu acho que vergonha é ser infeliz
Com tanta coisa bonita pra se descobrir
Acho que você já não representa mais
O amor que um dia eu tanto quis

O amor é assim
Guerra e paz
Com cor de carmim

O amor é assim
Guerra e paz
Com cheiro de jasmim.

posted by PARRIOT PB | 13:05
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