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Segunda-feira, Julho 30, 2007
Episódio de hoje:A ARTE SIMPLES
Foi um final de semana produtivo. Artisticamente e intelectualmente produtivo. Começando pela exposição Instântaneos de Felicidade no CCBB que se encerrou neste final de semana. Nesta mostra fotos de diversos artistas como Marc Riboud, Robert Doisneau, Pierre Verger (não à toa a maioria franceses) em suas imagens captadas da vida comum em momentos instântaneos de bom humor, momentos que se desfacelaram com o passar de uma faísca, um sorriso, uma conversa, uma brincadeira de amigos...
Num outro momento, fui assistir à montagem de formatura de um amigo e me surpreendi. Um espetáculo simples, mas bem dirigido, divertido. Não é o tipo de teatro que eu mais admiro, mas o resultado ficou bom, sem ares pretensiosos como muitas montagens de iniciantes que eu já tenha visto.
Na sexta, Lapa. E uma conversa deliciosa com um jovem escritor gaúcho que escreveu-me esta dedicatória em seu primeiro livro de contos: Para o meu especial leitor afoito. A verdade é uma cadeira para se sentar. E foi tudo surpresa e tudo delicioso porque falamos sobre a arte que queremos. E assim também conversei com uma atriz que participou desta montagem a que me referi. E com ambos a conversa foi: queremos o simples.
Vejo os artistas reclamando e reclamando da falta de verba para montagens que gastam em média R$ 450 mil por mês e acho, chego a achar, imoral. Obviamente nosso país é rico, muito rico, muito dinheiro poderia ser melhor empregado mas não é por causa da corrupção e da escrotice de nossos governantes. Por outro lado, não consigo entender porque um espetáculo teatral tem que custar tanto.
Para mim, arte tem que comunicar e para comunicar eu não preciso de uma parafernália sem fim. Prezo pela simplicidade (leia-se simplicidade e não simploriedade - não acredito em teatro simplório, até para se atingir a simplicidade é necessário muito trabalho). Aliás, acredito que a simplicidade envolva tanta complexidade que atingi-la não é fácil.
Existe uma companhia mineira chamada Cia. Clara do diretor Anderson Aníbal que possui em seu repertório espetáculos simples mas de uma verdade que sempre me emocionam. Pra mim, a arte tem que prescindir do amor, do coração. Quando ela vem daí, já tem meio caminho andado.
Não falo, porém, que espetáculos grandiosos como Império de Miguel Falabella não sejam necessários ou sejam ultrapassados. Não. Inclusive, assisti três vezes a ele. Apenas digo que precisamos repensar, como artistas, como deve ser a arte que fazemos.
Imagem do dia
Em busca do simples.
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11:11
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Domingo, Julho 29, 2007
Com os olhos afoitos...loucos para brilhar com sua presença...
A verdade é uma cadeira pra se sentar
Edson Roig Maciel
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15:42
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Sem perceber silêncio profundo
Pausa pra pensar
Eu quero mais que palavras soltas no ar...
Cedo demais pra tantos mistérios
Deixa sangrar
A resposta que não quer calar
Fala, não cala
Me diz o que te faz tremer
Fala, não cala
Me diz o que te faz querer
Eu tentei um pouco de tudo
Entender com as mãos
Só me perdi com palavras e revelações
Nada de mais, ninguém é perfeito
Não me cansei,
Mas agora é sua vez.
Eu também tentei coisas
Eu também me perdi
Eu também me revelei
Agora é sua vez...Fala...
Fala (Não Cala)
Marina Lima/Edu Martins/Alvin L.
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02:19
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Episódio de hoje: O SILÊNCIO QUE FALA E O SILÊNCIO ENSURDECEDOR
Minha relação com o silêncio é de longa data. Eu sempre senti prazer com o silêncio. Lembro-me de que quando era criança adorava quando minha casa à tarde ficava silenciosa. Acho que pra cada coisa tem o seu tempo.
Eu acordava com o barulho de rádio e a casa sendo varrida, a panela de pressão apitando, essas coisas todas. Mas aí, logo depois do almoço, vinha aquele silêncio de sesta. Era bom ouvir só o barulhinho do motor da geladeira.
Ainda hoje pra mim o silêncio é necessário e sei que as pessoas não entendem. Principalmente quem se envolve afetivamente comigo. Acho que o silêncio diz tanta coisa que quando me sinto obrigado a dizer algo só por dizer é como se um caminhão me atropelasse e aí falarei de coisas rasas. Me diga, por que dizer algo se não há nada para ser dito? Para suprir ansiedades? Para interagir. E interação lá tem a ver só com palavras?
Gosto de ver o mundo ao meu redor. Gosto de ver como as pessoas sorriem, como elas dançam, como elas tocam em quem elas amam. E meu olhar faz parte deste cenário. Ali, com meu olhar, estou dizendo tantas coisas que o verbo não conseguiria exprimir. Para alguns, o silêncio é ensurdecedor. Me ensurdece é o silêncio magoado, o silêncio triste, o silêncio amargurado e rancoroso. Os outros não.
Às vezes me calo também por falta de coragem de dizer. É que quando não falo, eu quero dizer e não consigo, então eu me calo. Eu devo ser realmente muito teimoso e muito chato também.
Mas o meu silêncio fala e fala muito.
Imagem do dia:
O Silêncio.
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02:19
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Sábado, Julho 28, 2007
É que, tolinho, quero dizer que quando não interajo é porque estou olhando maravilhado pra você e pro seu jeitinho de falar e pro seu jeitinho de andar e pra essa coisinha bonita que é você olhando as pessoas.
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03:45
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Sexta-feira, Julho 27, 2007
Episódio de hoje: ENCONTROS E DESPEDIDAS
Tenho dificuldade com despedidas. Mesmo as despedidas de visitas. Eu fico com vontade de ir ficando, ficando, ficando...se deixar eu durmo na sala.
Mas aquelas despedidas em que alguém fica pra trás e sabe-se lá quando a veremos de novo...Isso me mata.
Toda vez que vou à casa dos meus pais, sempre que venho embora eu tenho que chorar. E moro longe deles já quase 10 anos.
Vivi duas situações hoje.
Conheci alguém há dois dias, me envolvi com ela, mas foi embora hoje. Não pude me despedir direito, não deu pra dizer como foi legal ter conhecido e aí pronto. Foi motivo pra eu ficar estranho o dia inteiro.
Tenho um amigo que trabalhava comigo desde que cheguei ao Rio e foi ele quem me socorreu quando eu estava sem lugar pra ficar, logo no início. Onde ele morava tinha espaço pra mais um e lá fui eu. Confesso que me divertia com ele. Ríamos muito, contávamos histórias, era uma delícia. Há quatro meses que moramos em lugares diferentes porque precisamos sair de lá.
Hoje ele chegou de férias e anunciou que estava voltando pra São Paulo. Nos despedimos e me deu um aperto no coração quando ele sumiu pela porta. Antes, eu o agradeci por tudo, ele deu um sorriso e disse: "Ê Candinho, lembra nós dois no Tijucão?" Caramba, tive vontade de chorar ali, mas me segurei. E nem sei porque me segurei. Juntou isso, mas a outra despedida estranha do dia e foi motivo pra que eu pensasse em como tenho dificuldade de me desprender das coisass.
Pensei num namoro antigo, de muitos anos atrás mesmo e de como ainda está mal resolvido no meu coração. Mesmo depois de tanto tempo? Será que eu ainda amo? Que tipo de conseqüências pode estar fazendo na minha vida?
Não sei...Sei que eu queria ter reunido meu amigo que foi embora, a persona da qual não pude me despedir e todo mundo que eu amo numa grande mesa, com vinho e comida à vontade para dançarmos e celebrarmos a maravilha que é viver e amar.
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02:22
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Quarta-feira, Julho 25, 2007
...os momentos felizes não estão escondidos nem no passado e nem futuro...
Antônio Cícero
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22:42
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Segunda-feira, Julho 23, 2007
Segunda-feira é mais difícil porque é sempre a tentativa do começo de vida nova. Façamos cada domingo de noite um reveillon modesto, pois se meia noite de domingo não é começo de Ano Novo é começo de semana nova, o que significa fazer planos e fabricar sonhos.
Meus planos se resumem, para esta semana nova, em arrumar finalmente meus papéis, já que a governanta eu não vou ter mesmo.
Quanto aos sonhos, desculpem, guardo-os para mim, como vocês guardam, com o olhar pensativo, de quem tem direito, os próprios."
Clarice Lispector em A Descoberta do Mundo
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14:43
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Sábado, Julho 21, 2007
Episódio de hoje:SER OU NÃO SER "SAC", EIS A QUESTÃO
Tenho uma certa dificuldade de lidar com pessoas que vivem reclamando da vida. Acho de extremo mau-gosto e deselegância ficar falando, falando, falando e enchendo os ouvidos dos pobres ouvintes de reclamações e mazelas da vida.
Algumas pessoas têm isso como hábito e nem percebem que quanto mais reclamam, encontrarão mais motivos para reclamar. Eu tenho feito o exercício de não reclamar. Algumas coisas acontecem e o que tento fazer é simplesmente resolvê-las ou esperar o momento certo para que se resolvam, afinal só não há solução para a morte.
Prefiro os fudidos otimistas do que os ricos que só sabem ver o lado ruim das coisas e das pessoas. Não quero ver o lado ruim. Quero ver o lado bom e bonito. Sempre fui assim. Enquanto algumas pessoas não acreditam no amor, eu continuo acreditando. Enquanto algumas dizem que o país não tem solução, eu continuo achando que tem sim. Minha vida não está do jeito que eu quero, mas eu acredito que ela AINDA não está do jeito que quero. Penso sempre nas conquistas que já fiz e não no que ainda não conquistei. Porque há sempre algo para se conquistar, há sempre algo para se resolver e ponto.
Costumo dizer que não sou SAC, sim, aquela sigla que significa Serviço de Atendimento ao Consumidor, pra ficar escutando reclamações que não vão levar a lugar algum. Hoje peguei um táxi onde o motorista me alugou durante 20 minutos falando sobre o quanto o governo rouba, o quanto o prefeito é ruim, o quanto o governador, bla bla bla... saí do táxi com a impressão de que era ele quem estava me devendo dinheiro da corrida e não eu. Que político rouba eu já sei, que o prefeito é ruim só o carioca parece não saber porque já o elegeu mais de duas vezes. Então não me venha encher a paciência.
Quer me ganhar? Então não me fale de notícia ruim ou de problemas que eu já sei porque leio os jornais. Fale-me de algo bonito que você escutou ou viu ou ficou sabendo. Discussões sem sentido me entediam.
Texto do dia
Reclamar... ou agradecer...
Rubia A. Dantés
Muitas vezes nos deparamos com coisas que não conseguimos explicar e não entendemos porque estamos passando por aquilo... então temos a tendência a reclamar... e podemos correr o risco de ficar muito tempo só reclamando...
Uma coisa é certa... Ninguém passa pelo que não tem que passar e sempre em todas as situações existe algo a ser aprendido...
O ato de reclamar geralmente tem um efeito de aparentemente suavizar a situação por um tempo... mas aquilo que não resolvemos sempre volta para ser resolvido e para que tiremos o necessário aprendizado...
Se eu gasto a minha energia reclamando, eu fico sem energia para agir... e ao receber um retorno das pessoas... tipo “coitadinha... que pena”, isso dá um certo conforto e traz o perigo de me acostumar à auto-piedade... e virar um eterno "coitadinho de mim"... Algo que nos impede de alcançar o Amor e Felicidade.
É claro que quando a coisa fica muito difícil, sempre é bom ter um ombro amigo para dividir nossa dor... mas que isso seja feito em um contexto de buscar soluções e não como uma forma de conseguirmos somente atenção e um falso amor...
Quem não conhece pessoas que a cada oportunidade logo vêm com uma montanha de queixas que só tendem a aumentar... e nenhuma disposição de buscar aprender com as situações, e resolver os problemas... Parece que eles só aumentam cada vez mais...
Essa é uma forma de auto-sabotagem... quando alimentamos e criamos cada vez mais situações para que sintam pena da gente... vamos inconscientemente criando cada vez mais problemas para ter do que reclamar...
Sempre que me pego sentindo pena de mim mesma eu busco reagir e me lembrar que se eu perco o meu tempo e energia reclamando, eu nunca vou entrar em contato com meu poder pessoal que me dá força e energia para evoluir e a ter boa sorte...
Acredite que você é um co-criador da sua realidade e que reclamar só cria mais e mais motivos pra que você reclame...
Comece a agradecer ao Universo... Mesmo que aparentemente você não sinta nenhuma vontade de agradecer porque acha que a sua vida está uma droga... sempre vai encontrar motivos... agradeça pela respiração... e acompanhe um pouco esse ar que entra e que sai... sinta os caminhos que ele percorre e agradeça ao seu corpo... agradeça pela vida e pela oportunidade única que você está tendo de evoluir aqui nesse tempo mágico que estamos passando no planeta...
Agradeça ao Sol... à Lua... à chuva... agradeça a você mesmo por ter força de trocar a sua realidade com uma simples decisão...
Sempre vamos encontrar muitos motivos para agradecer... e essa energia da gratidão é muito poderosa e logo você vai criar na sua realidade mais e mais coisas pelas quais vai sentir gratidão...
É só uma questão de escolha... você vai se ligar ao que tem a reclamar ou ao que tem a agradecer... Mas os resultados dessa escolha fazem uma diferença fundamental entre levar a vida ligado ao sofrimento ou à felicidade...
Escolha a felicidade... ela é muito mais leve e é o melhor para todos...
Fonte: do site www.somostodosum.ig.com.br
Imagem do dia
SOL (ta-te) de Raphael, o Pensativo
Do site www.olhares.com
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23:05
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Sexta-feira, Julho 20, 2007
Depois do sol...
Cecília Meireles
Fez-se noite com tal mistério,
Tão sem rumor, tão devagar,
Que o crepúsculo é como um luar
Iluminando um cemitério . . .
Tudo imóvel . . . Serenidades . . .
Que tristeza, nos sonhos meus!
E quanto choro e quanto adeus
Neste mar de infelicidades!
Oh! Paisagens minhas de antanho . . .
Velhas, velhas . . . Nem vivem mais . . .
— As nuvens passam desiguais,
Com sonolência de rebanho . . .
Seres e coisas vão-se embora . . .
E, na auréola triste do luar,
Anda a lua, tão devagar,
Que parece Nossa Senhora
Pelos silêncios a sonhar . . .

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00:04
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Quarta-feira, Julho 18, 2007
VIM, VI E ESTOU VENCENDO
Completando um ano de Rio de Janeiro, declamei hoje este poema do Antônio Cícero para comemorar
Francisca
Antonio Cicero
Francisca veio lá do norte, de onde
também vieram meus avós e pais
talvez em busca de novos horizontes
no tempo em que eu não era nem nascida
Mas se eu nasci há tanto tempo já
Que meu passado está perdido em brumas
rasteiras e fumaça, o que dizer
do dela?
Do dela tão mais distante?
Francisca veio para o sul há tempos
e já chegou sonhando em retornar
e cultivar em meio a certas brenhas
algum roçado junto à sua mãe
Ela era quase ainda uma criança
e lá ficava o mundo de verdade:
o sol a chuva a noite a festa a morte
a vida
a aguardá-la, ainda mais distante
Parnaíba, Ipiranga, Rio Longá, Campo Maior…
Um certo norte está onde ela está,
em frente à praia de Copacabana,
onde ela faz cuscuz, beiju ou peta
e seu sotaque é cada vez mais forte
E ela ralha com o feirante esperto
e tem conversas com a mãe ausente
e o sabiá pousado no seu dedo
que aponta
algum lugar tão mais distante
Entre o nordeste que deixou na infância
e o sul que nunca pareceu real
a Francisca tem saudade de uns lugares
que passam a existir quando ela os pinta:
São mares turquesados e espumantes
em frente a uns casarões abandonados
que, não sei bem porque, nos desamparam
no meio
de algum lugar tão distante.

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03:22
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Sexta-feira, Julho 13, 2007
Episódio de hoje: POESIA EM QUALQUER LUGAR
De Paraty ao Rio, de Brasília a Belo Horizonte. Desde que me entendo por gente a poesia está em minha vida.
Lembro-me de quando tinha sete anos, teve um almoço na minha casa no dia das mães. Meus pais convidaram alguns amigos e lá foram todos. Na hora do almoço eu bem peguei um livro daquela coleção antiga "O Mundo da Criança" e ia ler pra todo mundo um poema que dizia "Minha mamãezinha querida...". Minha irmã me pegou no flagra. Tomou o livro da minha mão e lá fiquei com a cara emburrada o almoço inteiro. Não sei se o que eu queria era me mostrar, ler a poesia ou um pouco de cada coisa.
Essa coleção, antiga em minha casa, possui este volume 1 que se chama "Poemas e Quadras". Leio desde quando aprendi a ler. E foi esta coleção, junto com todas as coleções de livros que meus pais compravam que me estimularam a leitura e a escrita. O primeiro contato que tive com a escrita foram as redações da escola. Sempre gostei de escrever, mesmo quando não me pediam. Eu escrevia minhas historinhas, escrevia minhas novelinhas e aí comecei a escrever letras de canções.
Lembro-me que ainda aos sete anos, escrevi uma musiquinha que era mais ou menos: "Pula, Corre e Salta...Hoje é dia de Pular...Fico feliz de ver todo mundo cantando, cantando alegre... Pula, Corre e Salta hoje é dia de cantar...quero ver todo mundo cantando, cantando...Eu quero ver você pulando...correndo...saltando...alegre!" Foi meu primeiro poema.
E não parei mais...
Seja escrevendo poemas, histórias, canções...
E foi esta semana que me lembrei dessa história do dia das mães. Engraçado. Toda terça-feira acontece no Leblon o Corujão de Poesia, na livraria Letras e Expressões. Esta última terça-feira foi especial. Foi recheada com muito amor. Eu senti esse amor por toda parte ali. E eu nem estou apaixonado. Mas eu vi ali as minhas Ingrid e Flora, duas flautistas lindas, vi o João Luiz - um mestre -, vi tanta gente que eu conheci ali, vi pessoas que eu levei pela primeira vez e me lembrei que semana que vem completa um ano que estou no Rio e é lá que quero comemorar. Com poesia. Não há outra forma de comemorar minha mudança, tão difícil, do que com poesia.
O João Luiz sempre diz que devemos agradecer. E eu agradeço: a ele, à toda aquela gente e à poesia - a grande responsável por tudo isso.
Texto do dia
O fantasma e a canção
Castro Alves
— Quem bate? — "A noite é sombria!"
— Quem bate? — "É rijo o tufão! ...
Não ouvis? a ventania
Ladra à lua como um cão."
— Quem bate? — "0 nome qu'importa?
Chamo-me dor... abre a porta!
Chamo-me frio... abre o lar!
Dá-me pão... chamo-me fome!
Necessidade é o meu nome!"
— Mendigo! podes passar!
"Mulher, se eu falar, prometes
A porta abrir-me?" — Talvez.
— "Olha... Nas cãs deste velho
Verás fanados lauréis.
Há no meu crânio enrugado
O fundo sulco traçado
Pela c'roa imperial.
Foragido, errante espectro,
Meu cajado — já foi cetro!
Meus trapos — manto real!"
— Senhor, minha casa é pobre...
Ide bater a um solar!
— "De lá venho... O Rei-fantasma
Baniram do próprio lar.
Nas largas escadarias,
Nas vetustas galerias,
Os pajens e as cortesãs
Cantavam! ... Reinava a orgia! ...
Festa! Festa! E ninguém via
O Rei coberto de cãs!"
— Fantasmas! Aos grandes, que tombam,
É palácio o mausoléu!
— "Silêncio! De longe eu venho...
Também meu túmulo morreu.
O séc’lo — traça que medra
Nos livros feitos de pedra —
Rói o mármore, cruel.
O tempo — Átila terrível
Quebra co'a pata invisível
Sarcófago e capitel.
"Desgraça então para o espectro,
Quer seja Homero ou Solon,
Se, medindo a treva imensa
Vai bater ao Panteon...
o motim — Nero profano —
No ventre da cova insano
Mergulha os dedos cruéis.
Da guerra nos paroxismos
Se abismam mesmo os abismos
E o Morto morre outra vez!
"Então, nas sombras infindas,
S'esbarram em confusão
Os fantasmas sem abrigo
Nem no espaço, nem no chão...
As almas angustiadas,
Como águias desaninhadas,
Gemendo voam no ar.
E enchem de vagos lamentos
As vagas negras dos ventos,
Os ventos do negro marl
"Bati a todas as portas
Nem uma só me acolheu!..."
— "Entra! —: Uma voz argentina
Dentro do lar respondeu.
— "Entra, pois! Sombra exilada,
Entra! O verso — é uma pousada
Aos reis que perdidos vão.
A estrofe — é a púrpura extrema,
Último trono — é o poema!
Último asilo — a Canção!..."
Imagem do dia

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01:22
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Domingo, Julho 08, 2007
Let's Just Kiss
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22:35
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Quinta-feira, Julho 05, 2007
Irremediáveis Mortais
(Marina Lima/Giovanni Bizzotto)
Por velhos, vãos motivos
Mistério há sempre de pintar
Como quem lê um livro
Com melodia por traçar
Eu só dependo de reais
Toques, anúncios, sinais
Favoráveis, fatais
Aonde você mora?
Aonde você foi morar?
Nem sempre dá as caras
Às vezes custa pra pintar
Nós só queremos te saudar
Dogmas, prenúncios, cristãos
Irremediáveis mortais...
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11:38
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Terça-feira, Julho 03, 2007
Episódio de hoje: VELHOS E VÃOS MOTIVOS
É fácil, muito fácil, se apaixonar por alguém. Basta um olhar, um toque que seja gostoso, sexo agradável, enfim, esse conjunto de coisas que nos faz agir como bobos apaixonados (mais idiota quem nunca se apaixonou).
Mas tenho visto - e até mesmo sentido - a cada dia, que estamos perdendo essa capacidade de nos apaixonar, ou simplesmente estamos temendo nos apaixonar.
Me lembro da mãe de uma amiga que uma vez me perguntou se eu estava apaixonado e eu respondi que sempre estava apaixonado. E que sou um apaixonado.
O mundo, a vida vai nos conduzindo por caminhos que nos faz perder essa capacidade de nos apaixonar. Acordar correndo para pegar o ônibus ou o metrô, chegar ao trabalho, fazer aquele serviço sem amor que preenche nossos dias pensando que não foi nada daquilo que sonhávamos quando crianças, almoço num self-service qualquer, com pessoas desconhecidas, cumpre o segundo tempo do trabalho, vai pra casa, assiste novela, pensa no final de semana e não vive o hoje.
E a paixão? Pra onde vai?
Quando se pode fazer algo diferente é simples, mas e quando não se pode? Mas acho pior é quando podemos fazer algo e não fazemos.
E constantemente sinto vontade de me apaixonar. Fazer um trabalho que me dê tesão, conhecer alguém que vá me dar - novamente - aquele frio na espinha (e que hoje se transformou em aperto no coração). E se for pra estabelecer uma meta na minha vida, estabeleço aqui a meta de Me apaixonar.
E quem nunca se apaixonou não sabe o que está perdendo. Eu prefiro mil vezes me apaixonar por dez coisas ao mesmo tempo e sentir essa paixão do que preencher minha vida com burocracias e etiquetas que nada me dizem, apenas me sufocam.
É fácil, muito fácil, se apaixonar. Difícil é se abrir para isso...
Imagem do dia:
Apaixone-se.
Texto do dia
A paixão medida
Carlos Drummond de Andrade
Trocaica te amei, com ternura dáctila
e gesto espondeu.
Teus iambos aos meus com força entrelacei.
Em dia alcmânico, o instinto ropálico
rompeu, leonino,
a porta pentâmetra.
Gemido trilongo entre breves murmúrios.
E que mais, e que mais, no crepúsculo ecóico,
senão a quebrada lembrança
de latina, de grega, inumerável delícia?
posted by PARRIOT PB |
23:13
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