Parriot 2007 - Ano V - Entre a Terra e os Céus
Parriot 2007 - Ano V - Entre a Terra e os Céus
A Terra é muito mais do que um amontoado de gente e coisas. Não existe so um céu. Viva entre a Terra e os Céus.
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Segunda-feira, Dezembro 31, 2007

Retrospectiva convidada:

Foi num maio de 2005. Zapeando por aí no mundo virtual acabei topando com um blog que tinha a seguinte frase: Acho bonito uma criança que conversa sozinha, porque sei que ela, assim como todos nós, conversará sozinha até o dia de sua velhice. E pasme! Essa frase era minha. (Era porque considero que quando publicada uma obra deixa de ser sua). Vi a frase transcrita e não havia nenhuma indicação de seu autor: este blogueiro que vos fala. Reclamei, obviamente. Me bateu uma necessidade de Direito Autoral. E recebi a seguinte resposta em 30 de Maio de 2005:

Olá... Permita que eu me explique... (para que depois me desculpe) sou incrivelmente encantada com blogs que tem poemas e imagens, amo isso com toda verdade, mas encontro blogs que são repletos de tudo isso e fico tão empolgada que ... diante de tantos textos interessantes... salvo eles para ler um por um durante a semana, e acabo me confundindo depois, de onde tirei cada um. Alguns textos, ou frases me encantam tanto que coloco no meu blog, mas não pelo puro prazer de copiar, mas sim pq realmente me deixaram admirada! Peço desculas agora pela confusão qt ao texto, e da proxima vez, vou pedir primeiro. Bjos e pra finalizar: "Ame e dê vexame".

E como todo bom manteiga derretida, disse que ela podia pegar o que quisesse: minhas frases, minhas imagens, meu coração....e foi assim que fiz uma amiga virtual incrível. Uma menina linda, delicada, sensível. Dessas que dá vontade de passear todo final de tarde no meio de grandes árvores com copas imponentes e lagos com patinhos e marrecos.

E assim eu descubro que a vida é tão maravilhosa.

Especialmente a meu pedido, ela escreveu sua retrospectiva. E assim como ela um dia pegou emprestada uma frase minha pra dizer o que tá sentindo. Eu agora pego a dela, pra fechar o meu ano.
Não há muito a se dizer sobre 2007, só que ele foi incrível. Tenho a velha melancolia de dizer que ainda não consegui o que realmente quero, mas sim, foi um ano incrível!

Este ano, o filme que mais me tocou foi um francês chamado Um Lugar Na Platéia. O filme falava de pessoas, seus sonhos e as mudanças que buscavam pra suas vidas. Realmente incrível.
No dia em que o vi no cinema, saí e fui pra praia. Eram onze, onze e meia da noite e lá permaneci por uma hora chorando feito criança. Estava completando um ano de Rio. Tudo por causa de uma frase que uso para resumir meu 2007: Eu fiz tudo o que queria fazer. E quer saber? Tive uma vida incrível

31/12/ 2004 ... 2005 ... 2006 ...

23:59

sei que não serão os 10 segundos que antecedem a virada do ano que vão mudar minha vida.
na verdade, pode até ser que amanhã seja diferente...
um novo canto de passarinhos, uma nova flor que desperta.
a partir de amanhã eu vou perder 3 kg!
e aquele garoto vai finalmente olhar para mim ...
amanhã sim! vou ter coragem de sorrir para ele : D
e ele vai saber que ...
bem, talvez amanhã eu comece tudo mudando o caminho para casa, comprando uma roupa nova que realce as minhas bochechas ...
ah! amanhã eu vou ser mais paciente, demonstrar mais carinho, abraçar mais ...
vou mudar o corte de cabelo ... aprender um novo idioma, assistir alguns filmes franceses e programar uma viagem para as férias!
amanhã ... começo a fazer caminhada! mudo meus hábitos alimentares ... ¬¬
mudo o visual (será que a minha sandália nova vai combinar com aquele vestido?!)
e ... isso e aquilo ...
e bla bla bla ...
- quer saber?!
... acho que vou ali me encher de salgadinhos!

: ]

e hoje, bem... os 3kg's problemáticos de 2006 fazem falta no jeans 38 ...
hoje eu sei falar um idioma e quase meio! amanhã então ... nem se fala O.o
e ontem, pude ler um livro lindo ...

ah, e o mocinho vem sorrindo para mim já fazem dois meses Ô.ô

ontem descobri também o quanto a gente se entrega por pouco.
e descobri hoje que mesmo essas pequenas entregas são essenciais.
ontem descobri que - afável - é uma palavra bonita e hoje coleciono um monte delas!
ontem o céu estava todo estrelado ... e hoje, bem, hoje eu acho que chove mais tarde.
ontem descobri que montar uma árvore de natal nem é tarefa fácil.

e hoje ...

e amanhã ...


Rafaella Souza

Imagem do dia:

Sempre fui apaixonado por farol. Gosto da idéia de uma luz protegendo marinheiros. Como me considero, de certa forma, um marinheiro que vive em busca de mares nunca dantes navegados, não há melhor imagem para encerrar o ano.



FELIZ 2008 A TODOS

posted by PARRIOT PB | 13:21
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De onde vem essas pessoas? Essas que do nada chegam ao seu blog e passam a frequenta-lo e a deixar comentários...de onde?
Assim é o Ed. Que apareceu um dia e começou a ler.
Convidei-o para a retrospectiva porque ele esteve muito presente por aqui em 2007. Ele me disse que não gosta de retrospectivas, nem de mudanças. Reclamou quando disse que o blog mudaria (Eu gosto dele assim).
E mesmo não gostando de retrospectivas, ele me mandou uma... E sou muito feliz por isso...

posted by PARRIOT PB | 13:17
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Domingo, Dezembro 30, 2007

Retrospectiva convidada

Alguns amigos estão atentos a este espaço desde o início dele. Se não desde o primeiro ano, pelo menos pouco depois.
Uma destas pessoas é a minha amiga (cujo pseudônimo escolhemos para sua participação no blog) Mariposa.
E já é o terceiro ano que Mariposa participa da Retrospectiva.

Fim de ano.. tempo de repensar e colocar na balança o ano que se passou: momentos bons e momentos ruins. Uma coisa posso dizer com certeza.. houveram MUITAS mudanças.. muitas mesmo.. e o ano não se cansa de me surpreender nesse quesito!!! Lembra aquele friozinho na barriga, aquela acelerada de coração?? Pois então... voltei a sentir... coisa que há muito tinha esquecido.... e agora por motivos diferentes ..... mas não menos importantes!

Estou feliz.

Me sinto um pouco confusa ao escrever, sabe aquele congelamento de não sei por onde começo? Então..

Lembro-me que comecei o ano assim... não satisfeita de como a minha vida se encontrava, mas com medo de mudar! E assim fui levando durante um tempo, mas a vida insistia em me mostrar que assim não dava! E dito e feito! Mudanças e mudanças ocorreram.... boas.. ruins... doídas, tristes... mas te digo.

NADA ACONTECE POR ACASO !!!!

Tudo o que ocorreu me fez tomar atitudes que talvez não tomaria se tudo o que aconteceu não tivesse acontecido.... e te falo com a certeza de quem chega no finzinho de um caminho (e inicio de outro)... valeu a pena. Obrigada!

Sinto-me grata ... triste, em luto pelo o que acabou, mas pronta pra recomeçar! E confesso... to com medo.... medo do desconhecido, do novo... com aquele friozinho na barriga...mas Feliz.. com aquele brilho nos olhos com a certeza de que este é um caminho certo a se seguir... nem que seja apenas por agora... mas é!


Imagem escolhida por Mariposa:



Outra pessoa especial que participa pela primeira vez da Retrospectiva é a Paulinha Lembi.
Conheci a Paulinha na faculdade e começamos a conversar de maneira muito despretensiosa por causa de uma carona que ela me deu uma vez. E foi amor à primeira vista. Linda, inteligente, delicada... Uma menina que dá vontade de estar perto o tempo todo. E por coisa do destino também fizemos um estágio maravilhoso num hospital psiquiátrico em Belo Horizonte. Discutíamos muita psicanálise e falávamos sobre a vida, os amores...

Quando pedi à ela uma retrospectiva, ela disse que seria perfeito para falar sobre seu ano em Paris, seus estudos, suas experiências, mas acabou que de uma forma muito simples, ela encontrou uma maneira dela de dizer essas coisas todas que sentiu e me anunciou da seguinte forma: Descobri na música de Caetano... vários de meus sentimentos indecifráveis ao longo desse ano.... continuo ainda tentando descrever o q é indescritível, na letra de sua música!

E aí está a letra:

ORAÇÃO AO TEMPO
(De Caetano para mim)!


Es um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo
Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo
Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo
O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo
Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo

posted by PARRIOT PB | 01:06
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Sábado, Dezembro 29, 2007

Episódio de hoje: RIO GRANDE, CORAÇÃO CHEIO

Um ano de amores esporádicos. Um ano de amores espalhados que termina sem amor algum ou com todos eles meio misturados. Ou com os mais especiais guardados um em cada lado do coração. Meio piegas.
Sou assim mesmo.

De Agosto em diante um turbilhão tomou conta dos meus dias. Turbilhão de viagens, horas em aeroportos, rodoviárias, cidades espalhadas pelo país.

Em Agosto finalmente me mudei para um apartamento meu, com meu quarto, minhas coisas. A tranqüilidade começou a se aportar perto de mim.

Em Setembro, a viagem mais esperada dos últimos anos: Porto Alegre. E fui com aquele gostinho de Deu pra ti, baixo astral, vou pra Porto Alegre, tchau.

E foi por aí mesmo.

Encontros com pessoas esperadas. Encontros inesperados. Poemas do Lorca entre peças de teatro, trem para Novo Hamburgo para a casa da prima, desfile da Farroupilha, chuva, coração explodindo. E uma paixão leve, sem crises. Dessas que começam com olhares pela noite e que terminam em boas risadas para se aproveitar cada minuto que não volta mais. Nona Sinfonia de Beethoven a Um Violeiro Toca. Novos Baianos e mais sorrisos.

Fim do Inverno. E na despedida, um vento leve e uma lembrança. Hoje é o primeiro dia da primavera. Você trouxe a primavera pra mim. E com a primavera, a primeira manhã de sol foi justamente a minha partida. E escrevi no dia 25 de Setembro no post Chimarrão, Teatro e Carinho:

Quando o avião decolou hoje e vi da janelinha e Guaíba tão pequenininho lá embaixo, meu coração ficou apertado. Me lembrei da prima com o sorriso no rosto, parada na porta, me vendo descer as escadas. Olhei pra trás e ainda pude trocar dois beijinhos no ar.

Lembrei de um último beijo, também jogado no ar na virada de uma esquina. E não sai da minha memória o rosto gravado..(...)
E se somos todos nuvens passageiras que com o vento se vai, e realmente somos, algo fica. Algo sempre fica.


Foi assim que começou a minha primavera.

Imagem do dia


Estado do coração.

posted by PARRIOT PB | 00:40
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Sexta-feira, Dezembro 28, 2007

PRA FALAR DE AMOR
Marcelo Camelo



Dentro de mim
Há tristeza sem fim
E eu preciso encontrar minha paz
Pra sorrir ou chorar
Tanto faz
Pra lembrar de nós dois
E deixar essa dor me deixar te dizer

Ai, como eu gostaria de te encontrar
Pra falar de amor, pra falar..

Ontem pensei que estaria melhor
Sem você, sem nós dois
Poderia viver

O meu mundo se pôs entre recordações
E a vontade de ser novamente seu par

Ai, como eu gostaria de te encontrar
Pra falar de amor, pra falar de amor


posted by PARRIOT PB | 23:45
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Difícil falar...

posted by PARRIOT PB | 00:03
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Quinta-feira, Dezembro 27, 2007

Retrospectiva Convidada

Convidei alguns amigos para falarem sobre o ano de 2007 da maneira que bem desejassem. Seja com um poema, um texto, uma imagem ou uma música...qualquer coisa...
Entre elas, minha linda Clarissa Vargas escreveu:

Nos caminhos das encruzilhadas
Vi meu amor despedaçar
Conquistei leões
Enfeiticei ruas
e questionei o destino
Qual o certo
ou incerto
qual prefiro?
2007 foi preparação para o ano seguinte
comecei pedindo a mamae Oxum
e agora agradeço sua proteçao
a fé me permite voar
confusões só vêm para um dia de fato, clarear.


Imagem escolhida pela Cla



Em Julho, estive em Brasília e pude desfrutar um pouco da companhia dessa menina linda.
E na época também escrevi no post O Silêncio que fala e o Silêncio Ensurdecedor em 29 de Julho:

Minha relação com o silêncio é de longa data. Eu sempre senti prazer com o silêncio. Lembro-me de que quando era criança adorava quando minha casa à tarde ficava silenciosa. (...)

Eu acordava com o barulho de rádio e a casa sendo varrida, a panela de pressão apitando, essas coisas todas. Mas aí, logo depois do almoço, vinha aquele silêncio de sesta. Era bom ouvir só o barulhinho do motor da geladeira.

Ainda hoje pra mim o silêncio é necessário e sei que as pessoas não entendem. Principalmente quem se envolve afetivamente comigo. Acho que o silêncio diz tanta coisa que quando me sinto obrigado a dizer algo só por dizer é como se um caminhão me atropelasse e aí falarei de coisas rasas. Me diga, por que dizer algo se não há nada para ser dito? Para suprir ansiedades? Para interagir. E interação lá tem a ver só com palavras?

Gosto de ver o mundo ao meu redor. Gosto de ver como as pessoas sorriem, como elas dançam, como elas tocam em quem elas amam. E meu olhar faz parte deste cenário. Ali, com meu olhar, estou dizendo tantas coisas que o verbo não conseguiria exprimir. Para alguns, o silêncio é ensurdecedor. Me ensurdece é o silêncio magoado, o silêncio triste, o silêncio amargurado e rancoroso. Os outros não.

Às vezes me calo também por falta de coragem de dizer. É que quando não falo, eu quero dizer e não consigo, então eu me calo.(...)

posted by PARRIOT PB | 23:34
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Quarta-feira, Dezembro 19, 2007

Episódio de hoje: LIBERDADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE

E afinal de contas, o que é ser livre? É poder ir onde quiser, quando quiser? E fico realmente tentado a entender se algumas pessoas desejam tanto a liberdade, que isso se torna sua prisão.
Porque as vezes desejamos tanto a liberdade que nem percebemos as teias que o desejo possui.

Quero a verdade ou quero amar?

E assistindo Kieslowski fiquei me perguntando isso. Quando Julie quer não mais se envolver com alguém, quer a total liberdade, é realmente livre? Por que as coisas nunca são simplesmente as coisas? Por que tudo tem que ser tão mais complexo do que realmente são? Não acredito que ser livre seja tão simples.

Assim como igualdade. Afinal, o que é ser igual? O que tanto a justiça busca na igualdade? Todos somos realmente iguais? Perante Deus, perante a lei? Podemos ser livres e ao mesmo tempo iguais? Quando alguém comete um crime, o crime é o crime por ele mesmo? Quando você magoa alguém é simples desejar ser perdoado, mas e perdoar? É fácil desejar ser amado e amar? Quando um sujeito mata um executivo num Audi, com Rolex no braço e ele numa bicicleta sem conseguir trabalho é um crime?

Tenho certeza de que alguns lerão isso e me repudiarão porque considerarão minhas colocações como preconceituosas ou pretensiosas. Mas não estou concluindo nada. Estou me questionando. Dizem que questionar é bom. Eu questiono: somos realmente iguais?

Quando eu acho legal uma mulher pobre trabalhando ou quando vejo alguem pedindo na rua e me dá vontade de ajudar, eu ajudo porque eu acredito que possa fazer a vida de alguém melhor ou por que quero dormir tranquilo aquela noite? Sou realmente bom ou quero parecer bom para ganhar alguma coisa em troca?

Sou mesmo um príncipe?

E descobri que realmente é mais fácil falar sobre sentimento. Sobre amor, sobre montanhas coloridas pelo sol. É uma questão de aptidão. Não sou bom para discutir justiça social. Mas isso me exclui a possibilidade de pensar sobre? Sabe que não sei?

Hoje conversei com um garoto.

Ele mora num quitinete com mais quatro pessoas da família...

Imagem do dia


O Som do Silencio de Nelson Calado

Em 25 de Maio de 2007 eu escrevi no post Quando Fala o Coração

Hoje vi um toldo do qual pingavam gotas acumuladas da chuva. Uma gota de cada vez que lentamente partia da quina do toldo, desprendia-se com um cuidado medroso e se jogava na aventura da calçada. Ela era brilhante porque sobre ela refletia a luz branca do poste e embaixo, na calçada, lá onde gota a gota ia caindo havia uma marca de água.

Imaginei a cidade vazia e só aquele toldo, daquele prédio, naquela rua, do qual lentamente ia caindo gota por gota da chuva acumulada. E a música desse balé tedioso era tranqüila, uma valsa leve leve, sem grandes sonoridades.

Minha vida passou em frames por aquela gota. E me lembrei de um sonho que tive na última noite. Nele, alguém morria e eu me lamentava não ter dito pela última vez que amava. E não é o amor isto? Uma gota que se desprende de um lugar e passa a outro e a outro e a outro? E para ela é tudo difícil, porque é lento, porque ela precisa se soltar de um lado para cair em outro, num canto totalmente desconhecido.

E eu chorei. Chorei porque o cinema diz que é para sempre, mas a vida nem sempre imita a arte.

posted by PARRIOT PB | 00:14
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Sábado, Dezembro 15, 2007

Episodio de hoje: DORMIR

Eu fui dormir tarde, bem tarde. Para alguns seria cedo. Alguns que estivessem acordando porque quando o sol nasce é normal que algumas pessoas acordem.
E sempre gostei da noite. Mas nunca gostei do ar sorumbático de quem, como eu, gosta da noite. Gosto dos notívagos felizes. Dos que gostam da noite, mas não dispensam um bom churrasco domingo pela manhã. É que na verdade não gosto de nada que tente me enquadrar num arquétipo. Gosto da noite, mas gosto do dia. Já disse sob olhares surpresos que gosto de dormir tarde, mas gosto ainda mais de acordar cedo. À tarde é uma boa hora para se dormir. A manhã é sempre deliciosa e a noite é sempre tão silenciosa...

Boa para se sentar quieto, ouvir uma boa música, ler, conversar...

Mas gosto de casa vazia à noite. E por este motivo acredito que vá viver sozinho. Ou talvez seja uma decisão baseada no medo de não sofrer com a falta depois de me acostumar com a presença. Melhor ser sozinho do que ficar sozinho.

Eu tinha medo de dormir sozinho. Achava que a qualquer momento algém arrombaria minha porta e eu não saberia o que fazer. Gritar, correr, morrer...Não sei...Solidão é um mistério que ainda não consegui desvendar. Por quê me faz tão bem e ao mesmo tempo tão mal? Será fácil descobrir? E se a resposta não for aquela que eu esperava, o que fazer?

Sei que mistério maior é aquele que insiste em martelar na minha cabeça: "Quero a verdade ou quero amar?" Ouvi isso numa musica e fiquei pensando se para amar a verdade precisa ser abolida. Ainda não sei. Mas entre um e outro...sinceramente...acho que prefiro amar.

01 de Abril de 2007 eu escrevi no post Descrença

Tenho passado por dias estranhos. Conhecendo muitas pessoas diferentes e me assustando um pouco com a falta de laços mais fortalecidos. Sempre gostei de ter muitos amigos, não sou daquele tipo popular, falador, mas sempre gostei de saber que as pessoas com quem eu me relacionava eram realmente pessoas com quem eu tinha algum tipo de laço afetivo. E, amigos, tenho me fodido de verde e amarelo. Na verdade, tenho conhecido boas pessoas e algumas estão se tornado bons e quem sabe eu diria ótimos amigos. Isso continua acontecendo. O que tenho descoberto é que sempre me considerei como alguém que soubesse identificar nas pessoas o que elas tinham de bom ou de ruim. Era como se eu fosse um juiz etéreo, impassível de erro. Para os amigos que sabem das últimas histórias da minha vida, posso dizer que eu estava redondamente errado.

Deixar de acreditar nas pessoas não é o meu sonho de consumo. Deixar de confiar também não. Continuo confiando primeiro pra depois desconfiar. Mas é cada vez maior o número de pessoas que vêm me mostrando que estou errado. Não falo isso com amargura, nem como forma de me vitimar, falo com estupefação, com a estupefação de quem sempre acreditou. E acho que até nesse ponto o Rio de Janeiro tem me feito crescer.


Imagem do dia


Ao teu Encontro de Bluegirl

Retrospectiva de Comentarios

Em 2003 em meio aos anseios afetivos, um amigo de blog me escreveu:

Sobre a felicidade, esqueçamos a dor. A felicidade total é uma utopia e as utopias merecem ser buscadas ainda que saibamos não serem alcançáveis... Prefiro polianamente pensar que a felicidade possa doer por surpreender despreparados corações. Há tanta beleza no mundo que às vezes dói. Mais ou menos isso... - Adriano 15/03/03

posted by PARRIOT PB | 21:10
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Segunda-feira, Dezembro 10, 2007

Episódio de hoje: DOS SONHOS ESQUECIDOS PELA NOITE

Esta noite sei que tive sonhos estranhos que não me deixaram dormir. Há dias meu sono já não é mais o mesmo (ou talvez eu tenha simplesmente voltado a não dormir).
Os dias cada vez mais quentes, a cidade cada vez mais cheia e minha vontade é a de enfiar a cabeça dentro de um buraco.
Fui a uma festa ontem e preferi vê-la de cima. Quieto...

Dos sonhos estranhos não consigo me lembrar. Por mais esforço que eu faça. Sei que eram estranhos, ruins... Pesadelos? Não sei ao certo.

Acordei tarde. Cheguei atrasado ao trabalho com cara de sono e cabelo bagunçado. A ansiedade também se aprochegou. Tenho prova na quarta. Tenho cena na quinta. Tenho um aniversário para ir no domingo. Sou realmente o cara que acho que sou?

Foi um dia cheio desses pensamentos. Questiono a cada minuto minha passagem e descubro estupefato que um lado de mim quer escrever cem livros, aparecer nos jornais, produzir todas as peças que quiser e dirigi os filmes que quero dirigi (falando nisso já tenho o início do meu curta-metragem pensado). Mas o outro lado de mim quer fugir pra um B-612 e cuidar da rosa dentro da redoma. Mas redoma é algo que faz a solidão se prender. Redoma eu não quero. Quero. Não quero. Quero. Não quero. Quero. Queria...

Queria um beijo de criança. Dessas pequenininhas que sorriem pra você por nada e te dão beijinho estalado porque ainda não têm controle da boca. Beijo estalado é beijo inocente. Quero beijo inocente. Quero amor inocente. Porque amor inocente é bom de tomar sorvete. Amor inocente não pensa que precisa ser melhor do que todos os outros porque amor inocente acha que é o primeiro. E só de ser o primeiro tem que só ser e pronto. Quero vida inocente. Pra que quando a velhice chegar eu possa sorrir com os casais que se encontram pelo caminho...Mesmo que seja eu um velho sozinho sentado no banco da pracinha.

Quero usar chapéu a hora que quiser...

Quero tanta coisa, meu Deus! Que acho melhor tentar dormir pra poder sonhar...

Eu escrevi em 07 de fevereiro de 2007:

Ando com medo de dizer "eu te amo", simplesmente pelo fato de que não tenho mais certeza se poderei dizer à mesma pessoa novamente a mesma coisa. Ultimamente as pessoas têm me despertado esse medo. Pessoas importantes pra mim. Qual o momento certo de dizer? O fato de dizer fará com que as pessoas ajam exatamente para que você se arrependa do que disse? E eu não sou de me arrepender, mas acho que a idade vai nos deixando assim. Palavras não são para o vento, elas são aquilo que nos resta. Quando você estiver sem nada, ainda lhe resta a palavra. Ou como disse Pablo Neruda, "podem nos arrancar tudo", mas a palavra não.

E acho que às vezes nos colocamos em armadilhas que nos criamos e ficamos perdidos porque não parece haver outra saída. Quando saída é tudo o que queremos. Mas como fazer? O que fazer?
Estou assim como um mês que não passa do meio e talvez um talento por pouco perdido.

Será que escolhemos as pessoas que amamos?


Imagem do dia


São caminhos que todos temos que percorrer.
"E o meu coração embora finja fazer mil viagens, fica batendo, parado, naquela estação".
S/T de Miguel Santos

posted by PARRIOT PB | 23:25
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Domingo, Dezembro 09, 2007

RUÍNA

Um monge descabelado me disse no caminho: "Eu queria construir uma ruína. Embora eu saiba que ruína é uma desconstrução. Minha idéia era de fazer alguma coisa ao jeito de tapera. Alguma coisa que servisse para abrigar o abandono, como as taperas abrigam. Porque o abandono pode não ser apenas de um homem debaixo da ponte, mas pode ser também de um gato no beco ou de uma criança presa num cubículo. O abandono pode ser também de uma expressão que tenha entrado para o arcaico ou mesmo de uma palavra. Uma palavra que esteja sem ninguém dentro. (O olho do monge estava perto de ser um canto.) Continuou: digamos a palavra AMOR. A palavra amor está quase vazia. Não tem gente dentro dela. Queria contruir uma ruína para a palavra amor. Talvez ela renascesse das ruínas, como o lírio pode nascer de um monturo." E o monge se calou descabelado.

Manoel de Barros
Imagem de Hugo Amador "Pescador de Marés"

posted by PARRIOT PB | 11:22
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Sábado, Dezembro 08, 2007

Retrospectiva de comentários


Primeiro comentário deixado no blog:

O primeiro post que escrevi foi em 09/01/03, o primeiro comentário foi deixado por uma amiga que disse depois de mais um devaneio meu a respeito de sonhos em 23/01/2003.

Pois é, pior é que nunca descobrimos se os sonhos valem ou não a pena ser sonhados... Beijos!!!!! -

E pra variar, eu dizia a respeito do medo que todos têm de amar e o quanto isso me magoava... e num dos posts eu me fiz a pergunta se era melhor deixar que as coisas se perdessem ou se era melhor arriscarmos, mesmo que o medo pudesse atrapalhar e ela disse em 29/01/03: Pois é, são questões como essas que jamais vamos encontrar as respostas se não arriscarmos... Belo post!!!! Beijos!!!!!!

E eu respondi a ela; Tininha, É aquilo que eu respondi naquele seu comentário. Pra que tanto medo se a vida é feita de erros e de um monte de tentativas, não é?

Acho que não mudei de opinião de 4 anos pra cá.

Um visitante desconhecido transcreveu o que escrevi no dia 06/02/03 (infelizmente o primeiro ano do blog foi perdido). Escrevi: "Sou narcisista, assumo. Tenho medo de andar com pessoas que sejam mais bonitas, mais inteligentes (ou que pelo menos eu considere isso). Não me repreendam! Eu estou tentando acabar com essa bobagem" -"Em uma das passagens do filme ele diz ao vampiro Armand (Antonio Banderas) que ele não tem época, não tem lugar. Sinto-me assim de vez em quando. Sem lugar, sem época, sozinho." -" Às vezes sinto falta de deixar falar mais alto o meu lado canalha e ordinário. Acho que os vilões são muito mais interessantes. Não quero que me vejam como uma Regina Duarte de calças. É muito chato". "São Francisco de Assis abandonou sua vida de luxos e prazeres e foi reconstruir a Igreja de São Damião... Enfim, quem são os loucos? Eles ou nós?" "Tenho um amigo que foi capaz de me dizer que um cara punk que encontramos no Maleta não era normal, eu virei pra ele e perguntei: "E você por acaso é normal? - Você é gay, quem é normal aqui?"" "Todo mundo quer agredir o outro de alguma forma. Isso é um saco e eu odeio."

Parece que algumas coisas realmente não mudam com o tempo...

posted by PARRIOT PB | 16:54
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Sexta-feira, Dezembro 07, 2007

Episódio de hoje: LIVRARIA MODERNA LITERATURA BRASILEIRA

A primeira vez que entrei na livraria de S. Roberto foi em 2002. Foi pra comprar um presente de amigo oculto pro meu amigo Marco Antônio que fazia teatro comigo. Procurei, procurei...Ele ficou lá me ajudando e acabei comprando uma coletânea com os melhores contos do Tolstói.

Eu não o conhecia. Apresentei-me dizendo que era amigo da Priscila, sua filha. Ele sempre muito sorridente ficou animado com o fato de me conhecer.

Imaginava a livraria de S. Roberto como uma livraria arrumadinha, como a Leitura que eu via no shopping. Era minha fantasia. E foi uma grande surpresa quando eu vi que era, na verdade, um sebo que também vendia livros novos.


Era uma livraria pequena. Mas achei tudo aquilo um barato. Mas o que mais me impressionou foi o S. Roberto. Um senhorzinho troncudo, mais baixo do que eu com vastos cabelos brancos... Era o Gepeto dos meus livros infantis! Era sempre uma calça com uma camiseta gola pólo.

O universo de uma livraria sempre me deixou encantado. Alguns anos antes eu havia conhecido um sebo no centro de BH que tinha um segundo andar capenga feito de madeira e lotado de livros. Nunca mais voltei lá, mas a imagem daquele lugar ainda está gravado na minha memória, mesmo tendo já 10 anos que o visitei.

É incrível o que nossa mente pode guardar de lembranças.

Não voltei tantas vezes à livraria do Vô Roberto (pai da minha mãe adotiva em BH só podia se tornar meu avô postiço), mas sempre o encontrava pelas festas da família. E a única coisa que eu sabia além de ele ter uma livraria era que havia lutado meses antes contra um câncer de pele fortíssimo. Venceu o tal câncer de maneira tão incrível que fiquei admirado com a força daquele homem.

Alguns anos depois, há cerca de dois anos atrás, o câncer voltou com mais força e infelizmente Vô Roberto veio a falecer.

A última vez que o vi foi no escritório em que trabalhava com Priscila. Não tive coragem de visitá-lo no hospital. Tive medo, na verdade. Medo de ver aquele homem forte, aquele homem que passei a admirar, morrendo...

Morreu no 26 de abril. Um dia depois do meu aniversário. Um dia antes do aniversário do filho dele. Um dia antes da data em que minha avó materna faleceu.

Após sua morte, ajudei a realizar o inventário da livraria Moderna Literatura Brasileira. E quando entrei pela primeira vez sem o Vô Roberto por lá foi como um choque. Tudo ali tinha o cheiro dele. E me lembrei então da primeira vez em que lá entrei.

"Oi S. Roberto, eu sou seu neto postiço. Jean. Amigo da Priscila".

Retrospectiva do dia

5 de janeiro de 2007 escrevi:

O UNIVERSO EM EXPANSÃO

Acho que todo mundo um dia na vida já parou pra pensar que nada no mundo é para sempre. Não adianta. Nada mesmo.

As pérolas morrem, as pessoas morrem, tudo aquilo que nós conhecemos, vemos...tudo... vai acabar um dia. (...)
Sempre duvidei muito dos extremos, talvez porque às vezes eu sou muito extremo. Ou eu me entrego demais ou não me entrego. Ou eu amo ou ignoro. (...)

É bom pensar que esse mundo que hoje vivemos, um dia, não passou de parte de uma partícula mínima que se expandiu e se transformou no universo. E como o universo, tal qual o conhecemos, um dia teve um começo, também terá um fim. Como será esse fim? Não sei. Ninguém sabe. Mas isso é o menos importante.

O importante, pra mim, é pensar que o universo está dando um recado simples. Viva! E viva como se fosse o último dia. Um amigo me lembrou dessa música do Moska ontem: "Meu amor, o que você faria, se só te restasse esse dia?" Não é também para agirmos de forma inconseqüente, mas de forma coerente com os nossos sentimentos. Amar sem medo, viver sem medo, ir atrás dos sonhos...Expandir!!!


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posted by PARRIOT PB | 20:49
Reconstrua-se! Comente!:

Domingo, Dezembro 02, 2007

E com os ventos de dezembro, chega o fim de 2007...
E no fim, é bom reavaliar, pois a qualquer momento podemos voltar ao começo...

posted by PARRIOT PB | 05:34
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